A crescente demanda por tecnologias avançadas tem impulsionado o estudo de materiais com aplicações eletrônicas promissoras. Entre eles, o BiFeO₃ se destaca devido à sua natureza multiferroica magnetoelétrica, apresentando comportamento ferroelétrico e antiferromagnético à temperatura ambiente, o que o torna adequado para aplicações como memórias não voláteis, armazenamento de dados e dispositivos optoeletrônicos [1]. Para melhorar sua resposta magnética tipicamente baixa – decorrente de seu comportamento antiferromagnético – foi empregado o método de Moagem de Alta Energia (HEBM), especificamente a criomoagem, para nanoestruturar o BiFeO₃. A nanoestruturação é uma estratégia conhecida para aprimorar as propriedades magnéticas do BiFeO₃, pois rompe seu ciclóide de spin característico [2]. Neste estudo, investigou-se o efeito da velocidade de criomoagem nas propriedades estruturais, microestruturais e magnéticas do BiFeO₃. A sinterização por queima rápida, seguida de choque térmico, mostrou-se eficaz na produção de pós cerâmicos de BiFeO₃ com baixo teor de fases secundárias (inferior a 1,5%). A análise de Scherrer indicou que as amostras submetidas à criomoagem tendem a apresentar redução no tamanho dos cristalitos, acompanhada por um aumento da microdeformação, sendo significativamente maior na amostra moída a 300 RPM, o que reflete uma distorção estrutural mais intensa causada pela criomoagem. Por exemplo, devido às modificações estruturais induzidas pela criomoagem, a magnetização a 15 kOe aumentou 59% a 100 RPM e 147% a 300 RPM, indicando que velocidades de moagem mais elevadas são mais eficazes para melhorar a resposta magnética. Esses resultados confirmam que a criomoagem é uma rota promissora para aprimorar a multifuncionalidade do BiFeO₃ para aplicações tecnológicas.